Ainda sobre o uso de animais em ritos e liturgias.

March 4, 2015

Ainda sobre o uso de animais em ritos e liturgias, mais duas observações de suma importância merecem ser feitas.

 

1) O MGDA entende importante esclarecer que, embora muitas vezes o nome da Umbanda esteja associado às práticas de sacrifício de animais, essa generalização não procede. Solicitamos ao escritor e médium umbandista, fundador do Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade, Norberto Peixoto, que nos desse um depoimento sobre o assunto:

“Sempre que vemos uma matéria na imprensa que dá a entender que toda a Umbanda sacrifica animais, temos o dever de esclarecer alguns pontos. A maioria dos Templos Umbandistas no Brasil não sacrifica. Explico: em muitos locais prepondera a chamada "umbanda traçada" ou "cruzada'. São casas de "nação" (candomblé) - as quais respeitamos – que fazem rituais de “Umbanda” em determinados dias. Assim, têm fundamentos de sacralização que preponderam e ditam as imolações em sua religião, e não da Umbanda originalmente. 
Da mesma forma, nenhuma federação ou associação tem legitimidade de falar pela Umbanda como um todo. Cada federação deveria falar somente pelos seus associados. A Umbanda não tem uma codificação, um livro sagrado, um poder central, mas tem um código de ética e normativo essencial, fundante, trazido a lume pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas em 1908. FICA O REGISTRO: A UMBANDA NÃO SACRIFICA. Como diz o nosso HINO: Umbanda é a força que nos dá vida...Umbanda é uma louvação à vida mineral, vegetal e anima”l. Fraternalmente, Norberto Peixoto

Acrescentando mais uma informação, dessa vez do espírito Ramatis (entidade espiritual que já ditou uma série de obras, entre elas “Fisiologia da Alma”, que faz um sério alerta sobre a alimentação carnívora), temos:
UMBANDA – SUA FACE
(...)
7. A UMBANDA NÃO REALIZA EM QUALQUER HIPÓTESE O SACRIFÍCIO RITUALÍSTICO DE ANIMAIS, NEM UTILIZA QUAISQUER ELEMENTOS DESTES EM RITOS, OFERENDAS OU TRABALHOS.
8. A UMBANDA NÃO PRECONIZA A COLOCAÇÃO DE DESPACHOS OU OFERENDAS EM ESQUINAS URBANAS, E SUA REVERÊNCIA ÀS FORÇAS DA NATUREZA IMPLICA EM PRESERVAÇÃO E RESPEITO A TODOS OS AMBIENTES NATURAIS DA TERRA. 
 (...) 
 Ramatis - Este texto consta das obras “UMBANDA, ESSA DESCONHECIDA”, (4ª ed.) de Roger Feraudy, e “JARDIM DOS ORIXÁS”, de Ramatís/Norberto Peixoto (Ed.Conhecimento)


2) O sacrifício de animais em rituais do Candomblé não é unanimidade. Abaixo um trecho da entrevista publicada no jornal A Tarde, de Salvador, Bahia, em 24/06/2001, com Agenor Miranda Rocha, um dos mais conceituados Pais de Santo do pais. Nascido em Luanda, Angola, em 08/09/1907 e falecido no Rio de Janeiro, em 17/07/2004.
ENTREVISTA Um dos mais respeitados pais-de-santo do Brasil, Agenor Miranda Rocha emite opiniões corajosas sobre o candomblé. 
“Sou zelador-de-santo” 
 P - O sacrifício de animais, um dos ritos mais comuns e simbólicos do candomblé, é contestado pelo senhor. Por quê? 
R - Acho que é uma maldade. Os orixás, que são fragmentos da natureza, precisam de sangue? Matar os animais que representam a natureza? Matar, além de tudo, com uma faca, devagarinho, com cantiga, até chegar em uma palavra para tirar a cabeça do bicho. Não dá! Sou contra a matança. Na vida, tudo evolui com o tempo. O candomblé podia ter evoluído um pouquinho, ser mais moderado. O candomblé, hoje, é um luxo.

Para entender melhor essa posição, sugerimos o documentário “Um Vento Sagrado” sobre a vida de Agenor Miranda Rocha. Aos 25 minutos do filme, Pai Agenor e o sociólogo José Reginaldo Prandi se referem a questão da matança dos animais. Bastante esclarecedor, e indica que o sangue não é nem essencial, nem unanimidade, pelo menos entre os Orixás.

 

 

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