O QUE TEM POR TRÁS DE TUDO ISSO?

April 26, 2015

 

Desde que a deputada Regina Becker Fortunati protocolou o Projeto de Lei 21/2015, temos ouvido as mais estúpidas argumentações e justificativas tentando derrubar o PL e com isso impedir a retirada do parágrafo único, do Art. 2º, do Código Estadual de Proteção aos Animais.

Para justificar o injustificável e desviar o foco da discussão, foi deflagrada uma campanha aberta de VITIMIZAÇÃO dos praticantes dos rituais de matriz africana. Campanha essa, encabeçada por alguns deputados da Comissão de Constituição e Justiça e pais de santo, com eco na imprensa e entre os seguidores dessas religiões que, a nosso ver, tem servido de massa de manobra.

 

O primeiro argumento que apareceu, falava de PRECONCEITO RACIAL, como se os praticantes dessas religiões tivessem, como pré-requisito, a obrigatoriedade de serem negros. O que não é verdade. E se a religião que eles seguem nasceu na África, há muito que está no Brasil, e não tem mais o critério da cor da pele para escolher seus fiéis. Além disso, foram eles, PRECONCEITUOSAMENTE, e não nós, que trouxeram esse argumento. Eles (deputados e pais de santo) que pregam e insistem no preconceito, discursam sobre navios negreiros e senzalas ETERNIZANDO AS DIFERENÇAS. Esse argumento se perdeu, pois ninguém, a não ser eles, acredita nisso.

 

Depois veio o argumento de INTOLERÂNCIA RELIGIOSA. Outra falácia. Aqueles que militam na defesa dos direitos dos animais tem muito mais o que fazer na vida, do que se preocupar com o que, ou no que, as pessoas creem. E acrescente-se que dentro da proteção animal, há pluralidade religiosa, e isso nunca foi motivo de discussão ou impasse, pois TODOS, de todas as religiões (como deve ser o normal) defendem a vida em primeiro lugar, e privilegiam a REGRA DE OURO de TODAS elas: “Não faz ao outro aquilo que não queres que te façam”. Mais um argumento que não encontrou eco e se perdeu nos gabinetes dos deputados.

 

Em seguida, começaram a pregar aos quatro ventos que o projeto de lei objetiva aniquilar as tradições culturais. Esse também não se sustenta. Já fizemos essa pergunta antes: De quais tradições estão falando? Os rituais a que se referem, praticados há milênios em seu continente de origem, não visavam lucro. Mesmo depois de chegarem ao Brasil, as magias e trabalhos não eram cobrados. De lá pra cá as tradições foram aniquiladas e substituídas por novas regras: TRABALHOS E MAGIAS PAGAS E PAI DE SANTO PROFISSIONAL. Se a tradição pode ser mudada, por que essa resistência com a matança de animais? Afinal, é a tradição que está sendo defendida mesmo?

 

Depois, achando que isso seria imbatível, começaram a dizer que os animais são mortos para consumo. Só que isso piorou a situação, pois estão praticando o CRIME de abate clandestino.

Também levantaram o argumento (esse, diga-se de passagem, muito forçado) que diz que não sacrificam os animais, mas sim, sacralizam. Sobre esse ponto nem discutimos. Não nos importam questões semânticas. Podem dizer que sacrificam, sacralizam, imolam, ou qualquer outro termo. A questão é que, na prática, o animal é morto por sangria sem prévia insensibilização. E isso é crueldade, ISSO É CRIME.

Outra afirmativa comumente empregada, é de que, suspensas as matanças, inviabilizaria os rituais.

 

Temos, no país inteiro, exemplos e depoimentos de pais de santo afirmando que as matanças estão ultrapassadas, alguns, inclusive, posicionando-se contra elas. Um deles chegou a afirmar textualmente que “Não vai mudar em nada, o CANDOMBLÉ NÃO SE RESUME SÓ EM MATANÇA E SACRIFÍCIO”. Depois disso, acreditamos que esse argumento não merece mais nenhuma consideração.

Também dizem que só matam animais cuja carne é utilizada para consumo, e que não utilizam cães, gatos, sapos, pombos e outros, que não os de produção. E ainda, que os trabalhos e despachos nas ruas, não são feitos por eles. Então, vejamos:


1. No RS tem 60 mil casas de religião, conforme eles mesmos declaram, e não existe uma unificação de ritos, tendo, cada pai/mãe de santo, autonomia para realizar o ritual que mais lhe convier em sua casa
2. Para cada orixá, representante de uma força da natureza, são feitas oferendas no “habitat” dos orixás (e isso significa matas, pedreiras, aguas doce e salgada e... encruzilhadas);
3. Os “trabalhos e despachos” são reais e visíveis, não são “ilusão de ótica coletiva”. São encontrados diariamente em todas as cidades do estado, feitos e depositados, por alguém, nos mais diversos locais;
Diante disso, quem pode garantir, com um mínimo de credibilidade, que esta ou aquela casa faz, ou não, uso dessas práticas? Mais uma afirmação feita com o objetivo de, através da repetição, transformar uma mentira em verdade. A quem pensam que iludem?

 

Tem, também, o argumento da democracia. Essa é a parte cômica. Democracia são direitos iguais para todos. Democrática é uma lei feita para todos. O projeto de lei tem, como objetivo primeiro, transformar o Código Estadual de Proteção aos Animais em uma lei democrática, que deve ser seguida por todos os gaúchos, e não por QUASE todos, como está na redação atual. O parágrafo único inserido no Código garante que todos os gaúchos devem seguir a lei, MENOS os que praticam as religiões de matriz africana. Isso sim que é NÃO SER DEMOCRÁTICO.

 

Pela quantidade de ameaças que estão sendo feitas a todos que se posicionam pela constitucionalidade do PL 21/2015;
Pelo desespero e a fúria em defender a matança de animais, prática desumana, imoral, arcaica e cruel; 
Pela defesa de suas teses sem apresentar nada mais do que argumentos rasos e inconsistentes;

A ÚNICA CONCLUSÃO A QUE SE PODE CHEGAR É QUE, MAIS DO QUE FÉ, TRADIÇÃO OU LITURGIA, SERÃO ABALADOS O PODER ECONÔMICO E O STATUS QUO DE QUEM DOMINA E RECEBE POR TODOS OS “TRABALHOS” E OBRIGAÇÕES, POR QUEM LUCRA COM CADA ANIMAL EXECUTADO EM UM TERREIRO.

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